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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O Peso Do Pássaro Morto(2017) Aline Bei



A vida de uma mulher, dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um livro denso e leve, violento e poético. É assim O peso do pássaro morto, romance de estreia de Aline Bei, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.
A autora venceu o prêmio São Paulo de literatura de 2018 na categoria,  Melhor Livro do Ano – Autores Estreantes com menos de 40 anos.

Minha opinião:
O livro tem quase 200 páginas é composto de frases curtas e sem pontuação, letras enormes, num livro "normal teria no máximo 80 páginas.
Cada capítulo é como um conto, breve, denso e necessário.
Fica um gosto de quero mais, principalmente na adolescência da personagem principal.
A autora discorre rapidamente sobre cada fase e isso é um erro ou seria um acerto?
Eu diria que é o livro certo na hora certa.
Nas vésperas da eleição do ano passado, com temática feminista, agradou aos artistas e jornalistas.
Acho importante discutir temas como aborto e feminicídio.
Só acho uma hipocrisia da maioria das artistas com esse clichê, comunismo e liberdade.
Mexeu com uma, mexeu com todas ou ninguém solta a mão de ninguém.
A realidade não é essa e a hipocrisia reina nesse país.
Não sei se foi proposital e a autora teve esse público como alvo e sabia que agradaria os críticos.
Achei num todo a ideia interessante, só que parece um ensaio inacabado e sinceramente não gostei do modo que ficou a diagramação do livro.
O maior erro foi o que acontece coma personagem na concepção do seu filho.
A descrição da cena, ficou exagerada e não me agradou.
O melhor foi a sacada de contar a vida de uma pessoa com esse tempo de dez anos e mostrar como de fato toda pessoa muda.
Vou mais além, em uma vida, vivemos muitas vidas, por isso mesmo é impossível conviver com os mesmos familiares e amigos diariamente.
Na infância geralmente temos muitos amigos, na adolescência são poucos que permanecem e na vida adulta é raro de acontecer.
O ser humano toma decisões, muda hábitos, muda de bairro, escola, emprego e com isso o contato diminuí até acabar. Por vezes é uma briga boba ou não, e tudo acaba.
O melhor é deixar a pessoa partir, fazer novos amigos, não se apegar, tudo passa ou acaba.
Se Aline tivesse demorado mais em cada fase, contasse mais, o livro seria maravilhoso.
Aline, tem talento, deveria fugir dessas oficinas literárias, li que ela escreveu o livro durante uma.
Garota, fuja disso! Acredite no seu talento.
Os melhores escritores nunca frequentaram uma oficina literária, isso é para tirar o dinheiro das pessoas inseguras.
Sim, todo escritor tem as suas inseguranças, conviva com elas, vá além e continue escrevendo.
E principalmente, fuja da armadilha de virar uma escritora com rótulo, como feminista, comunista,etc.
Não tente agradar os críticos,a menos que queira ser lida por poucos e ganhar prêmios e aceitação dos artistas.
Se quer atingir o maior número de pessoas, faça ao contrário, incomode os críticos, desagrade os artistas e intelectuais e escreva com alma, coração e lágrimas.
Só assim atingirá o povo e será eterna.

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