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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Animal Tropical(2000) - Pedro Juan Gutiérrez





Animal tropical é o título do terceiro livro, entre a ficção e a realidade, lançado pelo escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez.
O autor de Trilogia suja de Havana e de O Rei de Havana, narra em primeira pessoa sua luta pela sobrevivência física e moral numa Cuba deteriorada pela escassez e numa Suécia entorpecida pelo bem-estar. Seja nas ruas sujas e fervilhantes de vida de Havana Velha, onde mora, seja nas alamedas assépticas de Estocolmo, onde passou uma temporada como escritor convidado, Gutiérrez constrói e defende seu espaço pessoal com um humor auto-irônico e, principalmente, com um erotismo cru, insolente, despudorado.
A vivência desses dois universos contrastantes - o nórdico e o caribenho - é encarnada nos relacionamentos sexuais do narrador com duas amantes: a mulata Gloria, prostituta havanesa, e a loura Agnes, intelectual sueca. Em ambos os casos, a experiência radical e exasperada do sexo é o modo que ele encontra para garantir sua integridade num mundo em ruínas.

Minha opinião:
Esse não é meu primeiro livro do escritor Pedro Juan, só que até agora foi o melhor.
Eu nunca tinha ouvido falar dele, quando estava numa livraria escolhendo livros e a atendente puxou assunto e começamos a conversar.
Isso é raro em uma livraria ou num sebo. Nos sebos até que é melhor, nas livrarias geralmente eles não sabem nada de literatura, eles vendem o produto só que não o consomem.
Dizem que todo traficante que se preze faz o mesmo. rs
Não sei porque a moça me perguntou se gostava de Bukowski, eu disse que sim.
Perguntou em seguida se conhecia o tal de Pedro, um cubano.
Eu disse que nunca tinha lido nada dele.
Então soltou essa - " Gosta mesmo de Bukowski? Vai adorar Pedro Juan. É muito mais forte, tem mais sexo, só que é mais pesado".
Comprei no mesmo dia e adorei  Fabian y el Caos (2015), o último livro dele.
Realmente ele é muito mais "hard" e sua realidade apesar de algo em comum com Bukowski, como ser escritor, a pobreza, bebedeira e adorar sexo, tem algo que os diferencia.
O lugar que nasceram, cresceram e vivem.
Um nos Estados Unidos da América o outro em Cuba.
É como se fossem de diferentes planetas e mesmo assim tão parecidos.
Se fosse quer conhecer como foi e é Cuba de verdade, leia um dos seus livros.
O mais surpreendente é que apesar de ter conhecido a Europa e os Usa, ele sempre volta para a ilha de Cuba.
A maioria saí e nunca mais retorna e por motivos óbvios e nos livros dele isso fica claro.
Uma coisa é ver os artistas e intelectuais brasileiros elogiando Cuba, Fidel e Che Guevara, outra é ver um escritor cubano e que ainda vive lá contar como é o dia a dia da população.
Pedro Juan assim como Bukowski conta as suas próprias aventuras, são o seu próprio personagem e sua alma e vida é desnudada em seus livros.
Por isso mesmo é forte, sincero e não tenta agradar a críticos ou quem quer que seja.
Ele é isso, com seus santos e demônios, putas e donzelas.
O livro é divido em duas partes e duas mulheres.
Suécia e Cuba é como se fossem a terra e Marte.
Glória e Agnes, a puta e a dama.
Um retrato íntimo e particular de um artista na concepção da palavra e de um ser humano raro.
Em tempos do politicamento correto,de feministas que dançam funk, de comunistas de iphone.
Pedro é imoral, machista, sádico, louco, original, bêbado e de carne e osso, graças a Deus.
É um cara que gostaria de conhecer e beber um trago.
Genial.

O Peso Do Pássaro Morto(2017) Aline Bei



A vida de uma mulher, dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um livro denso e leve, violento e poético. É assim O peso do pássaro morto, romance de estreia de Aline Bei, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.
A autora venceu o prêmio São Paulo de literatura de 2018 na categoria,  Melhor Livro do Ano – Autores Estreantes com menos de 40 anos.

Minha opinião:
O livro tem quase 200 páginas é composto de frases curtas e sem pontuação, letras enormes, num livro "normal teria no máximo 80 páginas.
Cada capítulo é como um conto, breve, denso e necessário.
Fica um gosto de quero mais, principalmente na adolescência da personagem principal.
A autora discorre rapidamente sobre cada fase e isso é um erro ou seria um acerto?
Eu diria que é o livro certo na hora certa.
Nas vésperas da eleição do ano passado, com temática feminista, agradou aos artistas e jornalistas.
Acho importante discutir temas como aborto e feminicídio.
Só acho uma hipocrisia da maioria das artistas com esse clichê, comunismo e liberdade.
Mexeu com uma, mexeu com todas ou ninguém solta a mão de ninguém.
A realidade não é essa e a hipocrisia reina nesse país.
Não sei se foi proposital e a autora teve esse público como alvo e sabia que agradaria os críticos.
Achei num todo a ideia interessante, só que parece um ensaio inacabado e sinceramente não gostei do modo que ficou a diagramação do livro.
O maior erro foi o que acontece coma personagem na concepção do seu filho.
A descrição da cena, ficou exagerada e não me agradou.
O melhor foi a sacada de contar a vida de uma pessoa com esse tempo de dez anos e mostrar como de fato toda pessoa muda.
Vou mais além, em uma vida, vivemos muitas vidas, por isso mesmo é impossível conviver com os mesmos familiares e amigos diariamente.
Na infância geralmente temos muitos amigos, na adolescência são poucos que permanecem e na vida adulta é raro de acontecer.
O ser humano toma decisões, muda hábitos, muda de bairro, escola, emprego e com isso o contato diminuí até acabar. Por vezes é uma briga boba ou não, e tudo acaba.
O melhor é deixar a pessoa partir, fazer novos amigos, não se apegar, tudo passa ou acaba.
Se Aline tivesse demorado mais em cada fase, contasse mais, o livro seria maravilhoso.
Aline, tem talento, deveria fugir dessas oficinas literárias, li que ela escreveu o livro durante uma.
Garota, fuja disso! Acredite no seu talento.
Os melhores escritores nunca frequentaram uma oficina literária, isso é para tirar o dinheiro das pessoas inseguras.
Sim, todo escritor tem as suas inseguranças, conviva com elas, vá além e continue escrevendo.
E principalmente, fuja da armadilha de virar uma escritora com rótulo, como feminista, comunista,etc.
Não tente agradar os críticos,a menos que queira ser lida por poucos e ganhar prêmios e aceitação dos artistas.
Se quer atingir o maior número de pessoas, faça ao contrário, incomode os críticos, desagrade os artistas e intelectuais e escreva com alma, coração e lágrimas.
Só assim atingirá o povo e será eterna.