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quinta-feira, 2 de julho de 2015

A Paixão segundo G.H. (1964) – Clarice Lispector (Editora Rocco) 180 páginas.





Esta obra conta o pensar e o sentir de G.H., a protagonista-narradora que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, que ela supõe imundo e repleto de inutilidades. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário. Depois do susto, ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco.

Minha opinião:
Não fique com raiva, o que escrevi acima, apenas copiei o que está em todas as sinopses do livro. Poderia ser spoiler se esse fosse um romance comum, garanto que não. Nada de romance, arriscaria a dizer que é um texto filosófico e magistralmente escrito pela genial Clarice. De todas as suas obras que li, foi a que mais gostei. O enredo não sai disso mesmo, G.H. e a barata e o cenário é o antigo quarto da empregada. Nada mais do que isso. O tesouro literário é o que ela discorre e escreve a partir desse assunto banal. Faça um teste, pegue o livro e o abra aleatoriamente e leio uma passagem. Faça isso umas cinco vezes e decida se quer ir até ao final. Ler simplesmente essa obra da forma natural e corriqueira é um pecado e pode tornar-se maçante. Faça as duas coisas e depois faça isso que escrevi acima. Terá diante de si, frases e passagens memoráveis, que autora demonstra todo o seu conhecimento da língua lusitana, talento e estudo da vida e alma humana. Aconselho a lê-la somente os maduros, com alguma bagagem literária e certa experiência na dor e na vida.

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